3º Sábado – 07 de Abril 2018

Oração por um garoto desobediente

Em seu primeiro dia de aulas no Jardim da Infância da Escola Adventista Ebeye, nas Ilhas Marshall, o pequeno Lomon não usou seu uniforme escolar. Mas no segundo dia, o garoto de cinco anos, cujo nome significa “águas turbulentas”, chegou vestindo calça preta e camiseta polo cinza obrigatórias. O problema era que ele não queria permanecer sentado nem prestava atenção à professora Elisa Albertsen, 21 anos, jovem missionária do Alasca. Ele preferia estar na rua jogando com os amigos que ainda não frequentavam a escola.

Em pouco tempo, Lomon começou a beliscar e bater nas outras crianças. Sentindo que precisava fazer algo, a professora o colocou de castigo, fazendo com que se sentasse distante das crianças até que se acalmasse. Mas Lomon não se acalmava. Em vez disse, começou a fazer uivar como se fosse uma raposa: “Auuuuuuuuuu!”; “auuuuuuuuuu!”

A professora Elisa levou Lomon para uma conversa com o diretor, mas isso não mudou o comportamento dele. Para piorar a situação, as outras 19 crianças do Jardim da Infância também enfrentavam dificuldade de adaptação na escola, chegando a bater e arranhar colegas e a professora. Certo dia, todas as vinte crianças tentaram pular a janela e fugir para a rua, mas Elisa conseguiu impedi-las.

Problemas em casa

Em uma conversa com a tia de Lomon, a professora ficou sabendo que os pais dele eram alcoólatras e viviam em outra ilha do Pacífico, por isso, ele ficou com os tios em Ebeye, uma ilha onde mais de 12 mil pessoas vivem em 32 hectares de terra. Elisa se sentiu tocada pela situação do aluno. “Ele não tinha um lar feliz para viver e era a primeira vez ele ia à escola”, disse ela. “Percebi que ele precisava de muito amor e atenção.”

Dias depois, Elisa percebeu que Lomon chegou à escola mostrando contusões no corpo, e o primo dele também estava com um olho roxo. Percebendo que algo acontecia em sua casa, ela decidiu falar com o diretor. Mas havia pouco a fazer em uma cultura onde os responsáveis e as crianças declaram que os hematomas são acidentes, e também não existe qualquer serviço de proteção infantil.

Elisa decidiu não mais informar à família de Lomon sobre o mal comportamento do menino e passou a orar em favor dele. “Ao chegar em casa, em meio às lágrimas perguntei a Deus: O que devo fazer por ele? Quero que ele seja um bom aluno nesse ano escolar.” Então, sentiu que uma batalha espiritual estava sendo travada em sua sala de aula embora as crianças fossem tão pequenas. “Esta é a fase em que elas aprendem bons e maus hábitos”, diz. “Satanás deseja alcançar crianças na tenra idade para que interrompam seu relacionamento com Jesus.”

Elisa se sentiu impressionada a orar diariamente, não somente por Lomon e as dificuldades da classe, mas por todos os alunos, suas famílias. Que Deus impregnasse a atmosfera da escola com Seu amor! Ela fez uma lista com o nome dos alunos e orou em favor de cada um e respectivas famílias, mencionando cada nome, todas as manhãs e noites.

Mudança radical

“Eu estava determinada a transformar a minha classe”, Elisa diz.

Com a oração, ela agiu passando a manter Lomon depois da aula, como punição pela desobediência, e orava com ele todas às vezes. Sendo que ele não sabia como orar, ela o ensinou a fazer isso. “Querido Pai Celestial”, disse o menino, repetindo as palavras da professora, “muito obrigado por este dia. Obrigado pela minha comida. Desculpe-me por interromper a aula hoje e machucar um colega de classe. Por favor, perdoe-me e ajude-me a me esforçar mais para escutar e ser amável amanhã.”

Certo dia, depois de ter orado com a professora, o menino disse: “Senhorita, senhorita, posso arrumar todas as cadeiras?” Pela primeira vez ele queria ajudar a professora! Passadas duas semanas, Elisa notou grande diferença na sala de aula. Lomon limpava a sala quando os colegas a sujavam. Tentava apartar as brigas entre colegas e pedia que fizessem as pazes. O comportamento das outras crianças também começou a mudar. Elas aprenderam a dizer: “desculpe-me!”, “por favor, me perdoe!” e a oferecer um abraço. O amor de Deus envolveu a sala de aula.

Os professores não deveriam ter alunos favoritos, mas Elisa diz que Lomon se tornou especialmente querido para ela. “Ele é apenas uma criança magoada que precisa ser amada e estar em um ambiente estável”, diz a professora.

Parte da oferta do trimestre ajudará a Escola Adventista de Ebeye a reformar as salas de aula urgentemente, onde crianças como Lomon possam aprender sobre nosso Pai celestial. Agradecemos pelas ofertas.

*Assista ao vídeo sobre a experiência de Elisa no link: bit.ly/Elisa-Albertsen. Leia também seu relado no website do Adventist Mission: bit.ly/ebeye-joy-journal

Resumo missionário

  1. As Ilhas Marshall são um país insular situado na região central do Oceano Pacífico, entre o Havaí e a Austrália. O nome oficial do país é República das Ilhas Marshall.
  2. As Ilhas Marshall possui dois idiomas oficiais: marshalês e inglês.
  3. Os dois principais grupos religiosos na República das Ilhas Marshall são Igreja Unida de Cristo (51,5%) e Assembleia de Deus (24,2%). Os adventistas do sétimo dia representam cerca de 1% da população.
  4. As Ilhas Marshall fazem parte da Missão Guam-Micronésia da Igreja Adventista, que tem 5.565 membros, 22 igrejas e 15 grupos.
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